 se sentava ali, como se se perguntassem com que
direito um rapazinho ainda verde, e ainda por cima aleijado,
era colocado acima deles.
- Quantos são agora? - perguntou Bran a Meistre Luwin
quando Lorde Karstark e os filhos entraram a cavalo pelos
portões da muralha exterior.
- Doze mil homens, ou tão perto disso que não faz diferença.
- Quantos cavaleiros?
- Bem poucos - disse o meistre com um ar de impaciência. -
Para ser armado cavaleiro, é preciso ficar de vigília num septo
e ser ungido com os sete óleos para consagrar os votos. No
Norte, só um punhado das grandes Casas reza aos Sete. Os
outros honram os deuses antigos e não armam cavaleiros...
mas esses senhores, seus filhos e seus soldados não são menos
ferozes, leais ou honrados por causa disso. O valor de um
homem não se determina por um sor antes de seu nome. Tal
como já vos disse cem vezes.
- Mesmo assim - disse Bran -, quantos cavaleiros? Meistre
Luwin suspirou.
- Trezentos, talvez quatrocentos... entre três mil homens com
armadura que não são cavaleiros.
- Lorde Karstark é o último - disse Bran, pensativo. - Robb
dará um banquete em sua honra esta noite.
- Sem dúvida que sim.
- Quanto tempo falta até que... até que partam?

- Têm de marchar em breve, ou não marcharão - disse Meistre
Luwin. - A Vila de Inverno está cheia até rebentar, e este
exército comerá tudo o que existe nos campos se acampar
aqui durante muito tempo. Há outros à espera de se juntarem
a eles ao longo da Estrada do Rei, cavaleiros das Terras
Acidentadas, cranogmanos e os senhores Manderly e Flint.Já
se luta nas terras do rio, e seu irmão tem muitas léguas a
transpor.
- Eu sei - Bran sentia-se tão infeliz como soava. Devolveu a
luneta de bronze ao meistre e reparou como seus cabelos
haviam se tornado finos no topo da cabeça. Conseguia ver o
rosado do couro cabeludo começando a aparecer. Era
estranho olhar assim de cima para ele, quando passara toda a
vida a olhá-lo de baixo; mas quando se andava "de cavalinho"
sobre Hodor, olhava-se de cima para todo mundo. - Não
quero observar mais. Hodor, leve-me de volta à fortaleza.
- Hodor - Hodor ecoou.
Meistre Luwin enfiou a luneta na manga.
- Bran, o senhor seu irmão não terá tempo para você agora.
Tem de receber Lorde Karstark e os filhos e fazer com que se
sintam bem-vindos.
- Não vou incomodar Robb. Quero visitar o bosque sagrado -
pousou a mão no ombro de Hodor. - Hodor.
Uma série de apoios de mão cortados a cinzel no granito
formava uma escada na parede interna da torre. Hodor
desceu, uma mão após outra, enquanto cantarolava sem
melodia e Bran balançava de encontro às suas costas no
assento de madeira que Meistre Luwin fabricara para ele.
Luwin se baseara na ideia dos cestos que as mulheres usavam
para transportar lenha nas costas; depois disso, recortar
buracos para as pernas e adicionar algumas correias novas
para distribuir o peso de Bran mais uniformemente fora coisa
simples. Não era tão bom como montar a Dançarina, mas
havia lugares onde a Dançarina não podia ir, e assim Bran
não ficava tão envergonhado como quando Hodor o
transportava nos braços como se fosse um bebê. Hodor
também parecia gostar, se bem que com ele era difícil ter
certeza. A única parte complicada eram as portas. Às vezes,
Hodor esquecia-se de que levava Bran nas costas, e isso podia
ser doloroso quando atravessavam uma porta»
Ao longo de quase uma quinzena tinha havido tantas
entradas e saídas que Robb ordenara que ambas as portas
levadiças se mantivessem içadas e a ponte levadiça entre elas,
descida, mesmo na noite profunda. Uma longa coluna de
lanceiros cobertos de armadura atravessava o fosso entre as
muralhas quando Bran saiu da torre; homens dos Karstark,
seguindo seus senhores para dentro do castelo. Usavam meios
elmos de ferro negro e mantos negros de lã adornados com o
sol raiado branco. Hodor trotou ao lado deles, sorrindo para si
mesmo, fazendo ressoar as botas na madeira da ponte
levadiça. Os soldados lançaram-lhes olhares estranhos ao vê-
los passar, e uma vez Bran ouviu alguém soltar uma
gargalhada. Recusou-se a deixar que aquilo o perturbasse.
- Os homens olharão para você - prevenira-o Meistre Luwin
da primeira vez que tinham atado o assento ao peito de
Hodor. - Olharão e falarão, e alguns zombarão - pois que
zombem, pensara Bran. Ninguém zombava dele no seu
quarto, mas não queria viver a vida na cama.
Ao passarem sob a porta levadiça da casa da guarda, Bran
pôs dois dedos na boca e assobiou. Verão veio aos saltos pelo
pátio afora. De repente, os lanceiros Karstarks lutavam para
manter o controle dos cavalos, enquanto os animais viravam
os olhos e relinchavam de medo. Um garanhão empinou-se,
gritando, enquanto o cavaleiro praguejava e se agarrava
desesperadamente. O cheiro dos lobos selvagens punha os
cavalos num frenesi de medo se não estivessem habituados,
mas se aquietariam rapidamente quando Verão fosse embora.
- O bosque sagrado - Bran lembrou a Hodor.
Até mesmo Winterfell estava cheio de gente. O pátio ressoava
com o som de espadas e mac